segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Segunda vez

















a Índia está se aproximando!
as roupas já estão prontas
e a câmera me esperando

o relógio me exige contas
e objetividades necessárias,
enquanto na mente a profusão
de lembranças e expectativas
trazem aromas de chá e incenso,
os pés descalços nos templos,
o sono antes da meditação cedo

tantas vivências para contar!
catalisadora de aprendizados,
essa terra mágica e milenar
me recebe mais uma vez,
e vou feliz voando
ver o sol nascer no oceano,
atravessar fusos horários,
fronteiras e meridianos

a viagem está chegando,
e eu, já viajando há muitos planos,
me deparo com o desenho inusitado
do incenso moldado em círculo
fazendo espelho com o movimento
do elefante e seu cafuné no tempo

o melhor da viagem acontecerá
e eu nem posso ainda imaginar


*

domingo, 25 de dezembro de 2011

Saudade inquieta

a minha saudade é noturna,
quando o silêncio externo
evidencia a inquietude que pula
e percorre meu corpo
pelos caminhos do teu carinho

a minha saudade é veloz,
quando tudo exige espera
e nenhuma expectativa,
a saudade vem impulsiva:
exige tradução em poesia,
quer navegar pelo oceano,
arrancar folhas do calendário,
fazer magia para acelerar o tempo
e te encontrar no mesmo desejo


*

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Água doce

*


Lençóis/MA

*

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O dia seguinte



















amanheci entregue aos sentidos
buscando cheiro nos travesseiros
e sentindo ainda na pele
a vibração do contato de auras
no tom exato e compartilhado
do desejo, esse mistério
que não precisa ser desvendado
e nem quer explicações
apenas existe urgente
e saboreia o presente
como brisa que semeia perfume
como amor que volta ao seu lugar
qualquer lugar nesse longo abraço
sob a lua cheia que brilha na baía
deliciosos resquícios nos sentidos
sentimos mais do que vivemos
a vida é encontro, um sopro
uma viagem, um pensamento
a vida é um longo beijo


*

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Entrega necessária

Se quem inspira a poesia
é também o seu destinatário,
cumpra-se o itinerário:
que as palavras cativem seu alvo

Tudo que não é letra é espaço
propício ao essencial não explícito

Se for imprescindível,
vital como o respirar cíclico,
não basta o registro;
a poesia deve voar seu rumo
e transformar o encontro possível

Poesia é ponte sobre o abismo
que liga, em seus extremos,
nada mais do que espelhos


*

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Poesia

me intriga, me entrega
me confessa, me manifesta
vem por trás da máscara
pelas trilhas exatas
rumo ao espelho
e mais me conheço
e mais me ofereço
a esse ritual
de tradução da alma
em fotografias precisas
fragmentos de poesia

ponto de encontro ou o avesso
travesseiro de desassossego
levanto, escrevo
mergulho, amanheço
parece até arco-íris
essa luz branca que vejo
acendendo a janela
tudo recomeça
na moldura da véspera
e eu, quase desperta,
imagino novas telas
convido outras ideias
permeável ao intangível
me sinto quase poeta


*

domingo, 20 de novembro de 2011

Carta ao desejo

Vamos negociar:
Altere meus batimentos
e continue me instigando
Subtraia minhas objetividades
e me acorde nas madrugadas
Semeie ousadas palavras
e provoque minha poesia
Defina meus sonhos e lance seus enigmas
Tudo são cores novas e bem-vindas
Mas redirecione suas flechas:
desvie seu inusitado dos obstáculos
escolha outros ímãs, outros abraços
Sei que é da sua natureza
esse desprezo pelo conveniente
esse desvio das escolhas da mente
Desejo arredio desenha o caminho
Seu tempero preferido é o perigo
Alivia-me desse gosto intenso
Aponte-me outros alvos, quero sossego.


*

sábado, 19 de novembro de 2011

Depois da aula

pouco importa se proibido,
meu coração está mais vivo:
teus olhos no meu sorriso
um instante contínuo
de prazer quase impossível

esse amor pela fotografia
é ponte sobre o rio
do cotidiano improvável
é arte como fio
nas dicas de livros
e lições do arqueiro zen:
alinhar coração e flecha
para onde aponta o olhar

no instante decisivo
palavras causam arrepio
por isso só posso escrever
é impossível, eu sei
e nem pretendo interferir
mas de tudo que aprendi
fica uma deliciosa inversão:
o ponto áureo não mora na composição,
brilha discreto no canto do olhar

reconhecê-lo é rota de encontro
sob os mistérios do espaço e tempo
juro que daqui a pouco eu esqueço
pelo imperativo inevitável da situação
tento esvaziar de sentido essa sensação
essa lembrança do teu olhar
esse olhar de temperatura e cor
esse calor onde deveria haver frio
esse fio suspenso invisível do desejo


*

sábado, 12 de novembro de 2011

Dois cafés

enfim, chego de um dia longo
e vasto de tanto mais
do que minhas intenções iniciais
anunciavam ao amanhecer,
quando deixei meus travesseiros,
lençóis de orquídeas e meus cheiros
e abri os olhos lentamente
diante das persianas clareando,
ainda buscando o sabor dos sonhos

enfim, as intenções primeiras
se anunciavam como guia
e só essas eram bem-vindas
(acordei avessa a surpresas)
mas há intempéries na natureza

longas horas numa sala fechada
aulas, aulas e mais aulas
meu cansaço é também espelho
a esperança é também reflexo
e os opostos ficam intensificados:
no primeiro café de intervalo,
a mandala de uma camisa
inspirou a súbita e feliz conversa
sobre Bhagavad Gita e Índia
e horas depois,
longe dos olhos de Krishna,
derramei café em alguém
que veio rápido, esbarrou em mim
(e justo alguém que não aprecio)

voltei às apostilas
com o doce e o amargo do inusitado

que as tintas do efêmero aliviem as dualidades:
amanhã quero um dia mais calmo
nada de traços expressionistas
quero preto, branco e cinzas
no meu domingo, uma fotografia


*

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Cansaço feliz

estratégia certa?
existe?

os mestrem ensinam
o caminho do coração:
único poder de guiar os dias
a algum sentido
pois aqui estou, nesse rumo
direto ao incerto

logo eu, signo de terra
mas lua de fogo
procuro sintomas e sinais
que me apontem alguma
tranquilidade,
e nada me permite ver
além do que desejo

há tanta neblina
entre folhas de poesia
montanhas de símbolos
trajetos, mistérios

logo eu, sem meus ciclos
de sono, cinema e sol
mas cheia de inusitados:
inauguro outra relação
(de amor) com o tempo
me permito devaneios
substituo platonices

preenchida por ventos
e possibilidades,
pratico novos verbos
no tempo preciso
preciso de agora


*

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Noite clara

quase 2 da madrugada
meus tantos planos não cabem no dia
e agora me acordam
transbordam

os olhos acesos
como se fossem sol
na quietude da baía
onde o reflexo é calmo
e os peixes dormem
no silêncio que ecoa
até os meus lençóis

de nada adianta
levanto na esperança
de que o leite com mel
faça um cafuné nos pensamentos:
os sonhos já me rondam
e querem seu palco

esse clarão não combina
com meu cansaço
alerta que algo na vida
ainda não encontrou seu espaço

alheio aos meus devaneios
o despertador conta os grãos de areia
da implacável ampulheta
que avisa, vai tocar
e o café vai exalar
seu perfume sinuoso

tudo é ainda potencial
quero ver sonhos
decifrar silêncios
sentir o doce nos lábios
decifrar meus tempos

a caneca vazia
alguma poesia

agora posso deitar


**

domingo, 23 de outubro de 2011

*





*

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Borboleta na janela

*









qual o caminho seguido?
o destino ou o escolhido?
bifurcações, imprecisões
cansaços, obstáculos
passos em tantos espaços

é a dança infinita
entre o acaso e o destino
entrar nessa ciranda
nos passos desse ritmo
e no momento preciso
inspirar uma decisão
tal como a bailarina
antes de entrar no palco
entretanto, ela sabe seus passos
e nós arriscamos
pelas trilhas da incerteza
só ali pode existir surpresa
é quando no voo da borboleta
aparece uma flor
ou uma janela
e ela decide o destino ao pousar

acasos não são mistérios
acasos apontam setas
desenham atalhos nas florestas
desviam do relógio óbvio cotidiano
brincadeira dos anjos
de aproximar intenções e intuições
fagulham os acasos pelo universo
e só mesmo as nossas escolhas
para fazê-los brilhar por perto

**

Hoje

com o tempero do desejo
do inusitado perfeito
num relance confesso fugaz
o reflexo, teu rosto no meu olhar
confesso quero mais
da velocidade desses fotogramas
na tela do meu cinema
hoje eu te vi
rápido assim
camisa azul-marinho
contraste na pele clara
hoje eu vi teu sorriso
espelhando na minha cara
vi teu movimento
um momento
hoje
meu


**

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Madrugada


as boas lembranças
são o fio do tecido
que me aquece do frio
nos vazios inevitáveis
súbitos e cíclicos

amenizam, eu sei
questão de tempo
ou de mudar o olhar
meus símbolos
preenchendo
livres, livres, livres
e descanso entre
as almofadas
de desenhos no cetim
tudo basta, estou feliz
mas algo mais
quero por dentro, segredo
faça-me poesia
ali estarei por inteiro


*

terça-feira, 4 de outubro de 2011

São Francisco de Assis

Hoje é dia do protetor da Luna,
essa peluda que é só alegria e bagunça!

São Francisco de Assis,
minha gratidão por sempre ouvir
e transformar oração em cura.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Beijo













o acaso me lembrou daquele beijo
distante, esquecido no tempo
e criado por outro acaso
de ali nos encontrarmos
na rua escura até a livraria
bebendo entre livros de poesia
horas e horas descobrindo o outro
palavras e lábios com o mesmo gosto
e nunca mais nos encontramos

até que o novo acaso veio
e me lembrou daquele beijo
como sinal de um bom roteiro
talvez a primeira pincelada
de uma tela a ser preenchida
pode ser isso ou quase nada
assim é a arte, assim a vida

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Hora do almoço

era quase uma hora
ou um pouco mais
o desenho do sol nas ruas
determinando o meu rumo
até um pequeno restaurante
de rústico bambu, vegetariano
dali levei a música suave e um chá
nas mãos equilibrando
caminhando
até um refúgio predileto
uma livraria ali perto
permitindo o acaso no olhar
versos de Quintana
trechos de Garcia Márquez
abrindo as folhas assim
ali decorei palavras e saí
para voltar ao trabalho, eu juro
mas depois de alguns passos
outra porta me convidou
pedra de cânfora queimando
violão e vozes orando
no ritual milenar
de uma simples igreja
com todas as luzes acesas
ofuscando os dogmas
ali a devoção me toca
até fechar os olhos
e sair
de novo para as tarefas
pelo mesmo caminho do sol
onde as sombras mudaram
se transformaram
em quase uma hora
ou um pouco mais


*

domingo, 18 de setembro de 2011

Astromélias


há muito já seduzida
pelas formas e cores
pela promessa do cheio
no vazio do meu vaso
há muito desejava
essas flores em casa
esse nome que me diverte
pois aqui as astromélias
brancas e vermelhas
astronautas e amélias
viagens e atmosferas

como dançar na lua                           
sob a gravidade do cotidiano?
como fazer eternas
as pétalas das astromélias?

na água transparente
entre os caules verdes
os átomos do mistério
do tempo sem peso
da leveza sem promessas
astromélias
tragam-me outras primaveras

*

Alternâncias

pairam pela casa
os excessos e faltas
que em outras searas
usam belas máscaras

mas aqui vestidas de óbvio
me espreitam as lacunas
e os amontoados
exigindo atitudes
e a primeira é discernir
dos meus excessos
de quais preciso me livrar
e dos abismos
quais preencher
se é na busca do equilíbrio
que se tece o fio fino
para atravessar os dias

relaxo na rede do inevitável
pensando numa estratégia
para alternar os temas
habitantes de picos e vales
pois que alguns ali se demoram
e eu quero mais movimento
outras necessidades e conquistas
eu só quero mais vida


*

esse longo e repentino
deparar-se comigo
pelo espelho sozinho
reflexo de todos os ângulos

onde posso esquivar meu olhar?
nada me escapa
nada passa
pelas paredes de fotos
de memórias
decifrando desejos
apontando projetos
duvidando futuros
assim, no extremo só
tudo é exacerbado
assim só eu
assim sou eu
nessa madrugada
com poucas estrelas
ou persianas demais


*

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Quase


É quase setembro
Sintomas de liberdade
vibram ainda fugazes
nesse longo mês oito
E a saudade movimentada
a cada passo da longa saia
como se eu fosse cigana:
o brilho nos brincos
meus longos morenos fios
e passos tranquilos
Algo de certeza invisível
traz os contornos do teu olhar
Cartas viradas pelo vento
Tudo vem a seu tempo
nesse relógio cósmico
de sabedoria sem ponteiro
Algo anuncia em suas brisas
Esteja pronto, meu homem
Daqui a pouco ouvirás meu nome



*

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

domingo, 17 de julho de 2011

Primeiro cinema



Diante de tão grande tela
Por onde passeamos em Paris
As cores e músicas da sua estreia
Com Woody Allen, Picasso e Dali

Aos sete meses, a sétima arte:
Mágica do tempo transformado
A descoberta que brilha nos seus olhos
Limpa meu olhar de todo óbvio impregnado



*

terça-feira, 5 de julho de 2011

Ponteiro

Para o trabalho saí atrasada
Para a vida, na hora exata
de ver aquele beija-flor
bem na frente da minha casa
voando fugaz, desafiando a gravidade
fazendo insignificante a chateação
da minha caneca preferida
quebrada pela pressa
logo de manhã, quando pensei:
se o dia começa assim...
Mas abri a porta e me deixei seduzir
pela surpresa, grandeza, leveza
com que a vida me fez um cafuné
O relógio esquecido, meus olhos felizes
compreenderam: não há gravidade!
Dos cacos se fazem mosaicos
Dos grãos se fazem mandalas
Tudo se desfaz e se refaz...
São mensagens sagradas
do pássaro que beija a minha intuição
e sorri, pouco antes de desaparecer
Tudo isso logo de manhã, quando pensei:
se o dia começa assim...



*

domingo, 26 de junho de 2011

Soneca


essa soneca tranquila
faz parecer que o mundo flutua
e tudo tem seus encaixes
nas peças em zigue-zague
do cotidiano fugaz

esse sono feliz
no berço do meu abraço
troca o caos pela paz
é puro silêncio e sorriso
minha missão de guardiã
dos sonhos do meu sobrinho


*

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Poesia das primas



Assim que partiu seu avião
Provei dois bombons Godiva
Sabor de chocolate e gratidão
Pelo presente, pura delícia

Olhos fechados e uma oração
Pelo presente da minha prima
Voando além das altas nuvens
De volta ao abraço do seu amor
Sua nova casa, novos estudos
Now it's time to go...

Saudade da sua presença!
Com amores e chocolates
Novos sabores e viagens
A vida fica mais intensa





*

domingo, 8 de maio de 2011

Mães













*

sábado, 7 de maio de 2011

Aniversário



A cada ano fico mais leve
e aprecio melhor os presentes:
a lembrança dos amigos
o sorriso do sobrinho
os abraços queridos

Pessoas das viagens
de tudo que faz sentido

Como um jardim na Índia
e o sol na palma da mão
A cada ano fico mais viva
Amiga do tempo e da gratidão



**

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Amanhecendo





quando acordo
às vezes me dá saudade
de abraçar teu corpo
e despertar teus sentidos
leves estampas no lençol
de milhões de fios
quase entrelaçados
entre gotas que secaram
impressões que ficaram
do que o tempo partido
não levou

quando acordo
às vezes me dá alívio
pelo enorme espaço vazio
que posso preencher
ou simplesmente esquecer
deixar em volta, ali, aqui
simplesmente existir

e assim o dia vem
às vezes nublado
outras vezes solar
quando acordo
às vezes te quero ao lado
outras apenas voar


*

domingo, 17 de abril de 2011

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Perfume

 
 








Deveriam proibir esse seu perfume
fazer outras misturas com essas flores
para evitar essa repetição no meu caminhar
venho pela rua, distraída, e na minha direção
inevitável porque invisível, vem de surpresa infalível
esse cheiro de você, que não tem o seu olhar
e desvia o meu pensar, esse perfume que exala
nossas manhãs e chaves na porta
deixando o aroma sinuoso pela casa
evaporando-se em ausência
e, de repente, assim como veio
a brisa leva o seu cheiro
trocam os ares e eu quase esqueço
que levada por esse sentido
encontro você mesmo quando não vejo


*

quarta-feira, 23 de março de 2011

Auto Retrato

 



Somos luz e sombra
Contorno e conteúdo
Reflexo e inverso
Saudade e viagem
Flutuante e submerso
Gigante e avesso
Brilhante universo
Cada um
Um pouco e tanto
Do que somos todos








*

terça-feira, 15 de março de 2011

Carta para mim mesma (ou o enigma da sobrevivência)

Abra bem os olhos no espelho.
É você mesma no centro
dessa mandala feita de vida
rodeada por amores,
conquistas e sonhos:
círculos das suas verdades.

Olha bem, menina,
com essas amêndoas de profundo castanho
e lembre desses desenhos no seu rosto
que desde pequena apontam caminhos
e acompanham sorrisos,
ambos agora tão esparsos.
Mas você sabe dos desvios
mais que delitos
que afastam o seu destino.

Olha bem, mulher,
fita essa paleta de cores dos dias
e antes que esmaeçam
reconhece seus próprios tons.
Coragem para o que era impensável
e agora é tão necessário.

Adormeça, esqueça, acorde.
Esprema da memória gotas de sonhos
em busca de qualquer sentido.
Sinta de olhos fechados,
assim mesmo, olhe bem:
ali está.

Decifre.



















*

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Aprendiz



O incômodo da incerteza
distrai a visão
do cesto de possibilidades,
turva a percepção
da latência das sementes.

Parece solidão
mas a indefinição
é apenas corda bamba:
finíssima ponte
sobre o abismo infinito
do tempo perdido,
linha que liga o agora
ao desconhecido.

Diante disso, inspiro
densamente
e minhas garras finco
no momento presente:
é aqui que eu devo ficar
aprendendo a me equilibrar
no fio fino e impreciso
de todas as transformações.



*

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Pour Elise


meus olhos secos
dessa longa estiagem
parece só fevereiro
mas vem de tanto tempo

nessa manhã alheios
aos afazeres listados
e nunca completados
meus olhos exaustos
vagueiam fugitivos
levam meus sentidos
que farejam lírios
espionam arbítrios
desejam espelhos
e súbito encontram

meus olhos enfim
encontram a poesia
em prosa, não importa
a poesia de Elisa
que o sol eterniza
no raio dourado
até a fotografia
eu lembro da minha
quase esquecida poesia
meus olhos suspiram
gotejam e aliviam
agora estou mais viva

(sobre o post "Antes da festa, já começa", do blog de Elisa Lucinda)
.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Escolha



Deixe que o riso seja o seu templo
                e você se sentirá em profundo contato com o divino.

                                                                                         Osho


.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Lua






Fragmentos

solidão imensa
absurda
me assusta
bagunça
entretanto
tudo vazio
com espanto
espio
em silêncio
mar reflexo
quieto
espero
lá longe
do horizonte
algo virá
iemanjá
miragem
virá onda
coragem
tanto ar
dentro
prendo
mergulho
flutuo
o futuro
é uma canção
onde dançam
meus cabelos
emaranhados
traços
libertados
fugitivos
arredios
sadios
desenham
meus passos
circulares
mandalas
sagradas
no chão
pétalas
pássaros
flautas
meninos
no caos
estupefata
relaxo
sou grata
o futuro
é uma oração

.

sábado, 22 de janeiro de 2011

te conhecer



conhecer alguém é ato mágico
foco absoluto que dissolve tudo
na mais suave neblina em volta
e assim tudo vira tela de cinema
é olhar, postura e atitude
tudo pincelado pelo intermédio
da palavra que ocupa a boca
e deixa espaço para o sorriso

conhecer alguém é uma narrativa
renovada sobre si mesmo
atualiza nosso próprio espelho
sob novo e curioso olhar,
sempre me reinvento
quase um novo nascimento
palavreado pelo desejo
assim quero te conhecer
e quase já conheço.

.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

domingo, 2 de janeiro de 2011

Ingredientes



 


presenças e ausências
comentários e acasos
sapatos, cores e roupas
escolhas e não escolhas

as negativas da vida
as pequenas vitórias
percepções e imposições
curiosidades e histórias

o aprendizado do primeiro laço
a descoberta do perfil no espelho
o desejo de descobrir o avesso
o amargo e o tempero

as músicas tocadas em casa
as antigas fotografias
as velas de aniversários
tempo, meu incentivo
de rebeldia e viço
criatividade e desperdício

tudo constitui cada fibra
tudo intui antes da vida

pois cada ingrediente
chega bem na mistura
e tem seu tempo de sabor
tudo mesclado resulta
no mistério que sou

é impossível revelar a alma
no breve exalar de um aroma
sou infinitas pétalas
e busco-me em descobertas
sou infinitas buscas
encontro-me em descobertas
e novas pétalas são abertas

.