domingo, 19 de dezembro de 2010

Ninar



É dever sagrado da humanidade cuidar dos seus bebês
Eles têm a conexão tão próxima com o divino
que seus olhos brilham na cor do infinito

É preciso ter a gratidão
de quem recebe uma missão:
um recém-nascido para cuidar
nas madrugadas de verão
onde o som vem da chuva
e do canto suave para ninar
onde se clareia a noite escura
com as luzes de natal a piscar

Toda essa aura de paz
pincela arco-íris pelo ar
e vem deste pequeno bebê
que dorme depois de me olhar
me encantando por apenas ser
o presente com aroma de futuro
magia e vida a florescer

.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Afetos

Ouvi a palavra pronunciada
na moldura dos seus lábios
Afetos são diversos
E o plural nomeia tantas tonalidades
quantos os verdes das florestas tropicais

Ouvir sua voz nessas vogais
Faz ecoar como sussurro de brisa
os suaves laços, jamais nós apertados
Afetos tão variados
Escondidos nos pilares da rotina

Até quando esquecemos seus sabores
São eles os verdadeiros condutores
dos atos, passos, ultimatos
que criam esquinas
bifurcações e trilhas
desbravam os óbvios previstos
e abrem os caminhos precisos

São os afetos
o princípio e o fim
as setas para o mundo 
e para mim


.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

João Marcelo

Quanta alegria teu nome desperta
Brotam palavras de festa
E sorrisos de espera

Atmosfera de carinho
Amor que se manifesta
E constrói o teu ninho

Cores, desenhos e presentes
Bichos de pelúcia e sabonetes
Berço, roupas, fraldas e bilhetes

Tudo é preparação
Para o nosso encontro
Com o teu coração

.

domingo, 5 de dezembro de 2010

O vento leva


 

suas atitudes apenas esfarelam
algo que poderia ter sido
 
sua longa ausência
e agora súbitas aparências
são fantasmas de incoerência
 
farelos sempre insuficientes
migalham a potência da alegria
 
mas não tente atitudes diferentes
você desconhece a minha poesia
 
.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Ponte

ciranda de quereres
uns desejam outros
outros desejam aqueles
 
já caminhei pelas duas margens
das águas divergentes dos desejos
incessante correnteza de ensinamentos

o indício inequívoco
é ser ou não recíproco
é o ponto da mágica
ou a distância do abismo
e assim um deseja o outro
e o outro deseja outro

quero fugir desse círculo
de encontros impossíveis
de poesias invisíveis

permanece um desejo:
ver no espelho alheio
o  reflexo do meu olhar
ponte sobre as águas
sobre as impermanências
levitando caminho sobre o rio
livre das dualidades das margens

um querer espelho do outro
e as águas refletindo a luz do encontro

.

domingo, 31 de outubro de 2010

Dancei

era quase feriado 
encontro marcado
à tarde no Odeon
fome querendo prato
eu cozinhando rápido
tempo controlado
era quase pressa
e de repente no rádio
aquela música começa
larguei tudo em espera
flutuei para a sala
aumentei o som
era quase festa
pés descalços
saia girando
cabelos voando
sorriso cantando
corpo tão leve
era quase breve
se não fosse eterna
a magia de dançar

*

sábado, 30 de outubro de 2010

Canto

o céu todo nublado
e de um canto invisível
a cigarra canta
tom de perseverança
som de esperança
brilhará o sol?
só saberemos amanhã

por enquanto a missão
é cantar a melodia
sobre o vento nas folhas
e com alguma acrobacia
equilibrar-se nas escolhas

é o que permite cada dia
cantar a própria vida
como notas de partituras
ora coro, ora solistas
sem pensar na previsão
do próximo amanhecer

o sol voltará?
nem a cigarra saberá
hoje só podemos cantar

sábado, 23 de outubro de 2010

Pimenta













sem muita magia
calma eu seguia
paz de incenso e chá
minhas noites tranquilas
um súbito luar
e li suas linhas
despertei as memórias
das minhas esquivas
dos desejos guardados
das vontades esquecidas
me senti tocada pela poesia
outra pele a roçar na minha
língua criativa na minha saliva
quis ser mais bela, mais intensa 
ser lua, paz e pimenta
ser musa da sua letra 



sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Leve



.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Perigo

















tem palavra que vem pensada
e tem poema que às vezes escapa
no meio do dia, da noite, do nada
sem aviso e sem alarde
invade

o poema sabe
a linguagem dos sonhos
os segredos dos magos
os ingredientes sagrados
da essência da alquimia

o poema conhece
os ponteiros do tempo
os mistérios do acaso
o avesso do outro lado
do disfarce da fantasia

seria mais discreta
se ficasse secreta
mas a palavra fugitiva
é sempre inquieta
e ousada me denuncia:
tua presença me intriga
minha poesia me entrega

.

Em busca da saída

 
.

Liberdade













as grades são imaginárias
sombras do que foge ao jogo limpo
e eu tão cansada de tudo isso
bambu enverga, não quebra
e suas folhas respiram
na mira de uma estratégia
saber qual a medida
onde os extremos
estabelecem limites
o tempo não passa
e eu procuro pela casa
as minhas chaves imaginárias
meus rabiscos, minhas viagens
minhas saídas libertárias

.

domingo, 17 de outubro de 2010

Incógnita

prossigo sem saber
que caixa será ofertada
ao toque dos meus dedos
será pandora, presente de grego,
cavalo de tróia?
será surpresa, quase um segredo,
uma nova história?
o que me resta nessa véspera
além de incensos e aromatizante
para harmonizar meus sentidos
e conduzí-los ao presente instante
prossigo sem saber
que desenho haverá no meu semblante

Diretriz

Coração
Metáfora
Símbolo
No centro
Um chakra
O caminho

.

Arco-íris

Das pequenas coisas práticas
às grandes e mágicas
Da sensação de pressa
à pura contemplação
Da poeira das ruas
à maciez dos lençóis
Do vermelho intenso
à paz do violeta
Experimentamos cores
no arco-íris dos dias
e precisamos da transparência
da nossa alma límpida
para pincelar a cor esmaecida
e imaginar a tonalidade escondida

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Aparecida



No riacho em São Paulo
Nos joelhos ralados
dos pedidos atendidos
Nos tecidos e adesivos
Nas tatuagens e imagens
Nos pés dos peregrinos
No olhar dos pequenos
a fé que se ensina
como herança precisa
Na chama de todas as velas
o fogo de algum desejo
sobre curas e bravuras
derrete medos e apegos
em sinuosos desenhos
Nos cânticos em coro
Destinos em encontro
Acordes de reza e gratidão
Em todos os lugares a mãe divina
Aqui atende pelo nome de Aparecida


Loba

há o sagrado no humano
e por isso tanto me espanta
os que corrompem essa dádiva
a mentira é um descaso com a palavra
o cinismo, mal traçando um sorriso,
ofende o que seria um abrigo
a maldade desviando o olhar
mirando na alegria para matar
ah, meu cansaço pede distância
dessa gente equivocada
embriagada de falsos poderes
ah, minha alma quer elegância
boas vibrações que emanam
das pessoas, onde se encontram?
por onde anda minha matilha?
em que esconderijos da vida?
justo agora que pareço sozinha
vou perambular pela floresta
até descansar numa clareira
                                                 e de tanto sentir a natureza
                                                 verei os olhos dos meus lobos
                                                 brilhando ao meu encontro
                                                 e sob o luar do mundo
                                                 uivaremos todos juntos

Brisa


Muito do estranho da vida
É o que escapa do planejado
Esforço que parece em vão
Nenhum vislumbre de significado
Desafio fio de navalha afiado
Ameaçando a minha esperança
Prossigo, insisto, respiro
Confiança é crer sem ver
com os olhos do óbvio
E tudo que li sobre o cosmos?
As possibilidades infinitas
As coincidências vividas
Ponte para o outro lado
Do rio, da floresta, da vida
Ainda invisível sob a neblina
Não podem ter essas linhas
Iludido minhas percepções
Haverá algum momento
Em que o quebra-cabeça
Formará um desenho
E eu compreenderei o tempo
Deitada na minha rede
No ritmo da brisa do alento

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Toque de fada

quantas vezes tudo parece bem
e a vida toma suas medidas 
para bagunçar tudo
lugares, pessoas, rotinas
sabores, roupas, perfumes
afazeres, prazeres, texturas
adaptem-se os sentidos
atualizem-se os sonhos
quem sabe já havia o desejo
e a vida apenas percebeu
e naturalmente intercedeu
com o toque da varinha
no movimento mágico
para a fada bailarina
devolver o brilho necessário
e voar 





domingo, 3 de outubro de 2010

Aos fotógrafos












Que seus dias sejam mais claros
E suas noites mais estreladas
Que entre solares e lunares
Aproximem-se essência e imagens

Que o virtual absorva o real
Para depois devolvê-lo
Recortado, transformado
Interpretado e libertado
Como só livres podem ser
As imagens que circulam
Questionam e inspiram
O olhar de quem escolher

Que o exercício dos seus dons
Seja uma fonte de alegria
Que sua alma possa florescer
E mergulhar a cada dia
Na luz que não gera sombra
Na paz que protege do caos
No amor que supera dúvidas
E pinta o céu de laranja e lilás
Para olharmos aprendizes
As transformações e matizes
Do breu estrelado ao azul claro

Que o passar diário do sol
Indique o melhor caminho
Para seu olhar nos presentear
Onde você cante sua música
E ouça sua risada
Em harmonia com o ritmo
Único e preciso
Do seu coração

sábado, 2 de outubro de 2010

Meditação

reflexão                                   aprendizado
lição                                       necessário
nada em vão                            dor sem repetição


calendário                                   tudo claro
tempo da renovação                    paz da compreensão

Futuro

há algo desconexo 
noites sem sono
horários trocados 
há sempre algo liberto
onde mora um mistério 
o meu dia seguinte
nunca foi tão incerto
é isso justamente
o dourado da fita
do laço do presente
do futuro que se esquiva
e com o tempo brinca
escondendo sua face
atrás dos troncos de árvore
nessa floresta onde caminho,
me alimento e me abrigo
os primeiros raios de sol
descem diagonais na mata
iluminam meus passos 
e eu não preciso de estrada

Cafuné


A imagem já é poesia
Surpresa minha
Ao virar uma esquina
No sul da Índia

De tão grande elefante
O mais leve cafuné
Os olhos nos iludem
A vida brinca como quer

Prazer em te ler

devoro teus poemas com velocidade
admiro as palavras que nunca uso
os sentimentos que nunca ouso
as confissões que nunca digo
os desejos que nunca arrisco
há algo disso tudo em mim
mas sou ainda aprendiz

devoro tanto que esqueço do dia
ausência de rima não evita poesia
devoro tanto que vejo a tua janela
e sinto a fagulha que escolhe as letras
os minutos passam e meus olhos passeiam
felizes porque há outro e mais outro poema
devoro secreta paradoxos e contradições
minha espionagem das tuas paixões
tal como um laboratório de fotografia
sob a luz vermelha devoro tua poesia

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Beijo de borboleta









As flores esperam as borboletas
E, ao mesmo tempo, como mágica
As borboletas procuram por elas
É questão de tempo ou pura dádiva
Sob única e definitiva condição:
Manter a exuberância de suas formas
E suas cores em sedutora vibração
As borboletas voando em lindas órbitas
As flores brilhando em pura meditação
Felizes com os ciclos do destino
Tecendo linhas de um ímã invisível
Com a sabedoria do vislumbre tranquilo
Do encontro de pétalas e asas possível

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

A maré

Como poderiam se amar?
Ela é da terra, ele do mar

Ela tentou ser uma sereia
Um canto de sedução
E nadou muito em vão

As escamas arranhando sua pele fina
E outras ondas repentinas da vida
Devolveram seu corpo à terra esquecida

Os pés com tantas saudades da areia
Desenharam seus passos de quase sereia
Ela viu apenas suas próprias pegadas
e lá longe um rastro de espuma no mar 
da rota percorrida pelo amor a navegar

Ela é da terra, ele do mar
Onde poderiam se amar?

Há um lugar de encontro
Ao redor do mundo, o tempo todo
Quando o mar desenha seu contorno
Nos grãos de areia de todo lugar
Apenas para que eles possam se amar


quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Café com leite








O aroma do café mesclado 
Ao vapor do leite fervido
O vidro da janela embaçado
A chuva fina e o vento frio
As montanhas escondidas
Sob o denso das neblinas
Assim começa o dia
A rede me espera
O livro me convida
O incenso pede brasa
Mas o relógio me atrasa
Botas, meias, gola alta
Dinheiro e chave na porta
Abro as estampas do guarda-chuva
Fecho as pupilas na luminosidade
Inspiro em busca de coragem
Ou sinais de outra realidade

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Vou sentir muito frio esta noite

Muito mais do que o relento
                            o sereno
                            o vento
                            a brisa de maresia
                            os sopros da baía

É assim quando faz frio dentro

Nem cobertor
Nem meia de lã dá jeito

Daqui a pouco um sonho eu invento
                                           mereço
                                           aqueço

É assim quando canso de tanto inverno
E, de repente, primavero.

domingo, 26 de setembro de 2010

Questão de ponteiro

Então era isso
Que eu deveria ter dito ou feito
Por que não pensei mais cedo?
Idéia atrasada não tem efeito

Agora parece fácil
Pensamento ágil
Mas já passou o momento
E não adianta ficar remoendo

Que fique para a próxima
Um alerta na memória
A lição do momento certo

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Sopros

O que mais interessa
Revela-se aos sussurros
Inesperados ou buscados
Sussurros soprados
Segredos de significados
Escapam do pensamento
Metade voz metade vento
Confessam desejos
Provocam arrepios
E ficamos mais íntimos


quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Noite de diva

Vem na minha direção
Querendo dançar
Passos no ritmo
Convite no sorriso
Promessa de flutuar
Leveza de Fred Astaire
Charme de Gene Kelly
O sol no olhar
Eu apenas sorrio
E num breve rodopio
Me deixo hipnotizar
Pelo seu perfume
Que evapora sinuoso
Do cenário do sonho
E vem me despertar

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Aliança

Esconder ou derreter
Vender ou esquecer
Doar ou lançar ao mar

O que faria Iemanjá
Para transformar
O ouro desse anel
Em uma nova maré
Que mergulhe meus cabelos
E abençoe meus desejos

Alquimia do oceano
É movimento e sal
Cores e recifes de coral
Raios solares pela transparência
Ciclos lunares pura impermanência
 
                                      É preciso esperar a lua cheia

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Personas

Parecem casas, mas são bastidores
Parecem quartos, mas são camarins
Escolhem-se sapatos e figurinos
Elaboram-se cabelos e improvisos
Decoram-se falas e talvez um sorriso

Tudo pronto para o espetáculo
Abram-se portas e cortinas

Parecem ruas, mas são linhas do palco
Parecem transeuntes, mas são personagens
Alguns não sabem por que representam
E ficam perdidos nas engrenagens

Outros escolhem seus papéis e tentam
Apesar das exigências do público
Criar roteiros para o seu mundo
Exibir suas cores e palavras
Viver conforme sua alma

Pondicherry, sul da Índia

sábado, 18 de setembro de 2010

Templos

Nos lugares sagrados
Entramos de pés descalços

E de olhos fechados
Cantamos a gratidão
Dançamos em mandala
Respiramos a imensidão
Que brilha em cada alma

Nos lugares sagrados
O silêncio é uma canção


sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Céu


... De repente...
     Lampejo
     Trovejo
     Escureço
     Esqueço
                               ... Depois ...
                                    Nublo
                                    Nevo
                                    Chovo
                                    Perdôo
... Entretanto ...
    Vento
    Clareio
    Estrelo
    Alegro

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Naquela travessa

Pisava o mesmo caminho diário repetido
E no meio da multidão encontrei alguém
E no meio da pressa imaginei só um sorriso
E no meio da rua, surpresa, ouvi "tudo bem?"
Respondi: tudo indo para algum lugar desconhecido
Ele disse: que resposta mais filosófica
Eu sorri: é a filosofia do copo meio vazio
Ele percebeu que a outra metade não era óbvia
E me aconselhou a preencher com vinho
Eu concordei, o prazer é uma boa estratégia
Para suportar as incertezas e desvios do caminho
Onde os pés não pisam só vai a imaginação
Preciso ir, eu também, e sorrimos
E nosso encontro se dissolveu na multidão


terça-feira, 14 de setembro de 2010

Tempero do tempo

A impermanência me garante que tudo vai mudar
Passam claras as nuvens em noites de luar
Revelam as estrelas que se escondiam
Como sementes submersas no mistério dos dias 
Sabedoria que tudo cozinha
Com os sabores que escolhemos
Aprendizes misturando temperos
Pimenta, canela, gengibre
E outros que a vida polvilhe
 

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

A última gota



Para quem vê de fora
A gota d'água não é nada
Só quem sente seu amargo
Sabe suas toneladas
Parece um mililitro
Mas a gota d'água é um símbolo
Que se transforma em líquido
Gota de lágrima
Que se transforma em infinito
Um alerta, um grito
Diante do abismo

domingo, 12 de setembro de 2010

Areia

Estávamos na praia
Eu e minhas músicas
Mudei as estações
E não consegui fugir de uma
The winner takes it all
Olhos fechados sob o sol
E assim fui tão longe
Onde o amor se esconde
Abri os olhos no último acorde
E vi um veleiro no horizonte

sábado, 11 de setembro de 2010

Avenida Rio Branco


Meu olhar cabisbaixo
Fixado nos desenhos em mosaico
Das pedras portuguesas onde piso

Meu olhar úmido e vago
Subitamente distraído
Pela banca de flores ao lado

Meu olhar tão cansado
Quase não vê mais colorido
Tenta traçar um caminho
E só vê o horizonte nublado

E bem mais perto uma esquina
Desenhando curva para o invisível
Que pode revelar uma saída
Se alguma coragem for possível

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Corpo













Eu apressada no corredor do teatro
Celular no ouvido, amigas ao lado
Ouvi meu nome, voz de homem
Duvidei, continuei, caminhei
Ouvi novamente, virei de repente
Dois sorrisos, surpresa no espelho
Dois beijos, senti rápido seu cheiro
Desejo de ficar mais, momento fugaz
Passos rápidos, um brinde ao acaso

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Inverno

A taça de vinho
O relógio perdido
O destino escondido
Tudo faz frio
Entretanto
Todo inverno tem seus ipês
Os galhos têm suas flores
As esperanças querem nomes
Os perfumes buscam sentidos
Tudo é movimento
Paisagem e tempo
Tudo parece perdido
Mas é acerto e vento

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Yamandu











Vibram as mensagens de Deus
Pelos caminhos dos dedos seus
Olhar para dentro, lapidar talentos
Apesar das tarefas cotidianas
Dos imperativos e tiranias insanas
Há sempre um atalho
Ao encontro do próprio espaço
Onde o ar respirado
Se transforma em inspiração
Parece mágica, parece mistério
Ouço todos os sons do universo
Nas cordas do seu violão

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Vislumbre

Tento a vida
Sem pressa, a cada dia
Tento entrar no ritmo dos acasos
Tento ficar mais tranquila
Respirar fundo, buscar meus espaços
Mas apesar de tanta tentativa
Uma dúvida me persegue
Que mistério determina
A fluidez ou obstáculo?
Por que brotam algumas sementes
E suas pétalas abrem uma ciranda?
Por que não abrem todas?
Qual o mistério do sonho não realizado
E do desejo quase esquecido?
Qual o caminho alternativo?
A água do rio cria seus desvios
E, apesar das pedras, segue seu destino

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Chove

Chove logo, céu nublado
Me liberta desse cinza
Que não foi convidado
E ousa ocupar todo espaço
Assim não posso ver as estrelas
Nem sei se a lua passeia
Mereço ao menos uma brecha
Nesse nublado compacto
Vou baixar as persianas
E quando esses olhos abrirem
Desejo que as nuvens dissipem
Formem desenhos para atiçar
Minha criatividade de olhar
Façam movimentos para lembrar
Que meu avião precisa decolar
E ver as coisas da terra
Com os olhos do céu

domingo, 5 de setembro de 2010

Domingo


Hoje é domingo
Café com canela
Silêncio só interrompido
Pelo vento nas janelas
Vela de lótus na mesa
E flores amarelas
Gérberas, mil pétalas
O sol que falta nesse nublado
A baía reflete o céu prateado
A igreja toca o sino
Alguns pássaros e latidos
E logo o silêncio volta
Pêndulo que oscila
Como as situações da vida
Hoje é domingo
E cedo faz frio
Eu apenas amanhecendo
Mas na verdade aprendendo
a ficar confortável no vazio
Estratégia para a liberdade
Senha para o meu caminho
Desenhado por desafios
E premiado por encontros
Com os outros e comigo