Se quem inspira a poesia
é também o seu destinatário,
cumpra-se o itinerário:
que as palavras cativem seu alvo
Tudo que não é letra é espaço
propício ao essencial não explícito
Se for imprescindível,
vital como o respirar cíclico,
não basta o registro;
a poesia deve voar seu rumo
e transformar o encontro possível
Poesia é ponte sobre o abismo
que liga, em seus extremos,
nada mais do que espelhos
*
terça-feira, 22 de novembro de 2011
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Poesia
me intriga, me entrega
me confessa, me manifesta
vem por trás da máscara
pelas trilhas exatas
rumo ao espelho
e mais me conheço
e mais me ofereço
a esse ritual
de tradução da alma
em fotografias precisas
fragmentos de poesia
ponto de encontro ou o avesso
travesseiro de desassossego
levanto, escrevo
mergulho, amanheço
parece até arco-íris
essa luz branca que vejo
acendendo a janela
tudo recomeça
na moldura da véspera
e eu, quase desperta,
imagino novas telas
convido outras ideias
permeável ao intangível
me sinto quase poeta
*
me confessa, me manifesta
vem por trás da máscara
pelas trilhas exatas
rumo ao espelho
e mais me conheço
e mais me ofereço
a esse ritual
de tradução da alma
em fotografias precisas
fragmentos de poesia
ponto de encontro ou o avesso
travesseiro de desassossego
levanto, escrevo
mergulho, amanheço
parece até arco-íris
essa luz branca que vejo
acendendo a janela
tudo recomeça
na moldura da véspera
e eu, quase desperta,
imagino novas telas
convido outras ideias
permeável ao intangível
me sinto quase poeta
*
domingo, 20 de novembro de 2011
Carta ao desejo
Vamos negociar:
Altere meus batimentos
e continue me instigando
Subtraia minhas objetividades
e me acorde nas madrugadas
Semeie ousadas palavras
e provoque minha poesia
Defina meus sonhos e lance seus enigmas
Tudo são cores novas e bem-vindas
Mas redirecione suas flechas:
desvie seu inusitado dos obstáculos
escolha outros ímãs, outros abraços
Sei que é da sua natureza
esse desprezo pelo conveniente
esse desvio das escolhas da mente
Desejo arredio desenha o caminho
Seu tempero preferido é o perigo
Alivia-me desse gosto intenso
Aponte-me outros alvos, quero sossego.
*
Altere meus batimentos
e continue me instigando
Subtraia minhas objetividades
e me acorde nas madrugadas
Semeie ousadas palavras
e provoque minha poesia
Defina meus sonhos e lance seus enigmas
Tudo são cores novas e bem-vindas
Mas redirecione suas flechas:
desvie seu inusitado dos obstáculos
escolha outros ímãs, outros abraços
Sei que é da sua natureza
esse desprezo pelo conveniente
esse desvio das escolhas da mente
Desejo arredio desenha o caminho
Seu tempero preferido é o perigo
Alivia-me desse gosto intenso
Aponte-me outros alvos, quero sossego.
*
sábado, 19 de novembro de 2011
Depois da aula
pouco importa se proibido,
meu coração está mais vivo:
teus olhos no meu sorriso
um instante contínuo
de prazer quase impossível
esse amor pela fotografia
é ponte sobre o rio
do cotidiano improvável
é arte como fio
nas dicas de livros
e lições do arqueiro zen:
alinhar coração e flecha
para onde aponta o olhar
no instante decisivo
palavras causam arrepio
por isso só posso escrever
é impossível, eu sei
e nem pretendo interferir
mas de tudo que aprendi
fica uma deliciosa inversão:
o ponto áureo não mora na composição,
brilha discreto no canto do olhar
reconhecê-lo é rota de encontro
sob os mistérios do espaço e tempo
juro que daqui a pouco eu esqueço
pelo imperativo inevitável da situação
tento esvaziar de sentido essa sensação
essa lembrança do teu olhar
esse olhar de temperatura e cor
esse calor onde deveria haver frio
esse fio suspenso invisível do desejo
*
meu coração está mais vivo:
teus olhos no meu sorriso
um instante contínuo
de prazer quase impossível
esse amor pela fotografia
é ponte sobre o rio
do cotidiano improvável
é arte como fio
nas dicas de livros
e lições do arqueiro zen:
alinhar coração e flecha
para onde aponta o olhar
no instante decisivo
palavras causam arrepio
por isso só posso escrever
é impossível, eu sei
e nem pretendo interferir
mas de tudo que aprendi
fica uma deliciosa inversão:
o ponto áureo não mora na composição,
brilha discreto no canto do olhar
reconhecê-lo é rota de encontro
sob os mistérios do espaço e tempo
juro que daqui a pouco eu esqueço
pelo imperativo inevitável da situação
tento esvaziar de sentido essa sensação
essa lembrança do teu olhar
esse olhar de temperatura e cor
esse calor onde deveria haver frio
esse fio suspenso invisível do desejo
*
sábado, 12 de novembro de 2011
Dois cafés
enfim, chego de um dia longo
e vasto de tanto mais
do que minhas intenções iniciais
anunciavam ao amanhecer,
quando deixei meus travesseiros,
lençóis de orquídeas e meus cheiros
e abri os olhos lentamente
diante das persianas clareando,
ainda buscando o sabor dos sonhos
enfim, as intenções primeiras
se anunciavam como guia
e só essas eram bem-vindas
(acordei avessa a surpresas)
mas há intempéries na natureza
longas horas numa sala fechada
aulas, aulas e mais aulas
meu cansaço é também espelho
a esperança é também reflexo
e os opostos ficam intensificados:
no primeiro café de intervalo,
a mandala de uma camisa
inspirou a súbita e feliz conversa
sobre Bhagavad Gita e Índia
e horas depois,
longe dos olhos de Krishna,
derramei café em alguém
que veio rápido, esbarrou em mim
(e justo alguém que não aprecio)
voltei às apostilas
com o doce e o amargo do inusitado
que as tintas do efêmero aliviem as dualidades:
amanhã quero um dia mais calmo
nada de traços expressionistas
quero preto, branco e cinzas
no meu domingo, uma fotografia
*
e vasto de tanto mais
do que minhas intenções iniciais
anunciavam ao amanhecer,
quando deixei meus travesseiros,
lençóis de orquídeas e meus cheiros
e abri os olhos lentamente
diante das persianas clareando,
ainda buscando o sabor dos sonhos
enfim, as intenções primeiras
se anunciavam como guia
e só essas eram bem-vindas
(acordei avessa a surpresas)
mas há intempéries na natureza
longas horas numa sala fechada
aulas, aulas e mais aulas
meu cansaço é também espelho
a esperança é também reflexo
e os opostos ficam intensificados:
no primeiro café de intervalo,
a mandala de uma camisa
inspirou a súbita e feliz conversa
sobre Bhagavad Gita e Índia
e horas depois,
longe dos olhos de Krishna,
derramei café em alguém
que veio rápido, esbarrou em mim
(e justo alguém que não aprecio)
voltei às apostilas
com o doce e o amargo do inusitado
que as tintas do efêmero aliviem as dualidades:
amanhã quero um dia mais calmo
nada de traços expressionistas
quero preto, branco e cinzas
no meu domingo, uma fotografia
*
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Cansaço feliz
estratégia certa?
existe?
os mestrem ensinam
o caminho do coração:
único poder de guiar os dias
a algum sentido
pois aqui estou, nesse rumo
direto ao incerto
logo eu, signo de terra
mas lua de fogo
procuro sintomas e sinais
que me apontem alguma
tranquilidade,
e nada me permite ver
além do que desejo
há tanta neblina
entre folhas de poesia
montanhas de símbolos
trajetos, mistérios
logo eu, sem meus ciclos
de sono, cinema e sol
mas cheia de inusitados:
inauguro outra relação
(de amor) com o tempo
me permito devaneios
substituo platonices
preenchida por ventos
e possibilidades,
pratico novos verbos
no tempo preciso
preciso de agora
*
existe?
os mestrem ensinam
o caminho do coração:
único poder de guiar os dias
a algum sentido
pois aqui estou, nesse rumo
direto ao incerto
logo eu, signo de terra
mas lua de fogo
procuro sintomas e sinais
que me apontem alguma
tranquilidade,
e nada me permite ver
além do que desejo
há tanta neblina
entre folhas de poesia
montanhas de símbolos
trajetos, mistérios
logo eu, sem meus ciclos
de sono, cinema e sol
mas cheia de inusitados:
inauguro outra relação
(de amor) com o tempo
me permito devaneios
substituo platonices
preenchida por ventos
e possibilidades,
pratico novos verbos
no tempo preciso
preciso de agora
*
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