terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Aprendiz



O incômodo da incerteza
distrai a visão
do cesto de possibilidades,
turva a percepção
da latência das sementes.

Parece solidão
mas a indefinição
é apenas corda bamba:
finíssima ponte
sobre o abismo infinito
do tempo perdido,
linha que liga o agora
ao desconhecido.

Diante disso, inspiro
densamente
e minhas garras finco
no momento presente:
é aqui que eu devo ficar
aprendendo a me equilibrar
no fio fino e impreciso
de todas as transformações.



*

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Pour Elise


meus olhos secos
dessa longa estiagem
parece só fevereiro
mas vem de tanto tempo

nessa manhã alheios
aos afazeres listados
e nunca completados
meus olhos exaustos
vagueiam fugitivos
levam meus sentidos
que farejam lírios
espionam arbítrios
desejam espelhos
e súbito encontram

meus olhos enfim
encontram a poesia
em prosa, não importa
a poesia de Elisa
que o sol eterniza
no raio dourado
até a fotografia
eu lembro da minha
quase esquecida poesia
meus olhos suspiram
gotejam e aliviam
agora estou mais viva

(sobre o post "Antes da festa, já começa", do blog de Elisa Lucinda)
.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Escolha



Deixe que o riso seja o seu templo
                e você se sentirá em profundo contato com o divino.

                                                                                         Osho


.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Lua






Fragmentos

solidão imensa
absurda
me assusta
bagunça
entretanto
tudo vazio
com espanto
espio
em silêncio
mar reflexo
quieto
espero
lá longe
do horizonte
algo virá
iemanjá
miragem
virá onda
coragem
tanto ar
dentro
prendo
mergulho
flutuo
o futuro
é uma canção
onde dançam
meus cabelos
emaranhados
traços
libertados
fugitivos
arredios
sadios
desenham
meus passos
circulares
mandalas
sagradas
no chão
pétalas
pássaros
flautas
meninos
no caos
estupefata
relaxo
sou grata
o futuro
é uma oração

.