quase 2 da madrugada
meus tantos planos não cabem no dia
e agora me acordam
transbordam
os olhos acesos
como se fossem sol
na quietude da baía
onde o reflexo é calmo
e os peixes dormem
no silêncio que ecoa
até os meus lençóis
de nada adianta
levanto na esperança
de que o leite com mel
faça um cafuné nos pensamentos:
os sonhos já me rondam
e querem seu palco
esse clarão não combina
com meu cansaço
alerta que algo na vida
ainda não encontrou seu espaço
alheio aos meus devaneios
o despertador conta os grãos de areia
da implacável ampulheta
que avisa, vai tocar
e o café vai exalar
seu perfume sinuoso
tudo é ainda potencial
quero ver sonhos
decifrar silêncios
sentir o doce nos lábios
decifrar meus tempos
a caneca vazia
alguma poesia
agora posso deitar
**
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