quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Noite clara

quase 2 da madrugada
meus tantos planos não cabem no dia
e agora me acordam
transbordam

os olhos acesos
como se fossem sol
na quietude da baía
onde o reflexo é calmo
e os peixes dormem
no silêncio que ecoa
até os meus lençóis

de nada adianta
levanto na esperança
de que o leite com mel
faça um cafuné nos pensamentos:
os sonhos já me rondam
e querem seu palco

esse clarão não combina
com meu cansaço
alerta que algo na vida
ainda não encontrou seu espaço

alheio aos meus devaneios
o despertador conta os grãos de areia
da implacável ampulheta
que avisa, vai tocar
e o café vai exalar
seu perfume sinuoso

tudo é ainda potencial
quero ver sonhos
decifrar silêncios
sentir o doce nos lábios
decifrar meus tempos

a caneca vazia
alguma poesia

agora posso deitar


**

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