sábado, 19 de novembro de 2011

Depois da aula

pouco importa se proibido,
meu coração está mais vivo:
teus olhos no meu sorriso
um instante contínuo
de prazer quase impossível

esse amor pela fotografia
é ponte sobre o rio
do cotidiano improvável
é arte como fio
nas dicas de livros
e lições do arqueiro zen:
alinhar coração e flecha
para onde aponta o olhar

no instante decisivo
palavras causam arrepio
por isso só posso escrever
é impossível, eu sei
e nem pretendo interferir
mas de tudo que aprendi
fica uma deliciosa inversão:
o ponto áureo não mora na composição,
brilha discreto no canto do olhar

reconhecê-lo é rota de encontro
sob os mistérios do espaço e tempo
juro que daqui a pouco eu esqueço
pelo imperativo inevitável da situação
tento esvaziar de sentido essa sensação
essa lembrança do teu olhar
esse olhar de temperatura e cor
esse calor onde deveria haver frio
esse fio suspenso invisível do desejo


*

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