quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Ponte

ciranda de quereres
uns desejam outros
outros desejam aqueles
 
já caminhei pelas duas margens
das águas divergentes dos desejos
incessante correnteza de ensinamentos

o indício inequívoco
é ser ou não recíproco
é o ponto da mágica
ou a distância do abismo
e assim um deseja o outro
e o outro deseja outro

quero fugir desse círculo
de encontros impossíveis
de poesias invisíveis

permanece um desejo:
ver no espelho alheio
o  reflexo do meu olhar
ponte sobre as águas
sobre as impermanências
levitando caminho sobre o rio
livre das dualidades das margens

um querer espelho do outro
e as águas refletindo a luz do encontro

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