terça-feira, 27 de setembro de 2011

Hora do almoço

era quase uma hora
ou um pouco mais
o desenho do sol nas ruas
determinando o meu rumo
até um pequeno restaurante
de rústico bambu, vegetariano
dali levei a música suave e um chá
nas mãos equilibrando
caminhando
até um refúgio predileto
uma livraria ali perto
permitindo o acaso no olhar
versos de Quintana
trechos de Garcia Márquez
abrindo as folhas assim
ali decorei palavras e saí
para voltar ao trabalho, eu juro
mas depois de alguns passos
outra porta me convidou
pedra de cânfora queimando
violão e vozes orando
no ritual milenar
de uma simples igreja
com todas as luzes acesas
ofuscando os dogmas
ali a devoção me toca
até fechar os olhos
e sair
de novo para as tarefas
pelo mesmo caminho do sol
onde as sombras mudaram
se transformaram
em quase uma hora
ou um pouco mais


*

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