vitrines lindas
onde os doces brilham
e os salgados menos
distraem meus olhos
pequenas xícaras antigas
rebuscadas com o dourado
que evaporou do cotidiano
para prateleiras e poeiras
e assim tudo muda de lugar:
essa canção me atiçava paixão
e agora alerta saudade
toca escondida, secreta
quase silenciosa
não se confessam memórias assim
muito menos ao entardecer
hora mágica das luzes de fotógrafos
hora marcada para nostalgia de náufragos
tudo chega e brilha
sob pálpebras cerradas
golpe surrealista
para reacender a visão
e de repente eu desejo
aquele doce,
não um qualquer
desejando...
até que subitamente
resgata-me quente
um gole de café
*
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